Sobre Nós
Ana Estêvão - professora
Foi a ambição de melhorar o mundo que me conduziu à Pedagogia Waldorf em 2008. Estudei biologia na Universidade de Coimbra. Sou professora, trabalho com adolescentes desde 2008. Comecei na Argentina e depois vim para Portugal. Viajei, organizei acampamentos, fiz voluntariado, conheci pessoas incríveis, fiz trabalho administrativo e produção de eventos. O teatro acompanha-me desde 2010, como actriz e produtora. Faço parte do colectivo.ursa, Gambozinos e Peobardos e Pó da Terra Teatro. Sou mãe de dois rapazes, um de 4 anos e outro de 10 meses. Em 2021, a convite de duas mães de adolescentes que necessitavam criar um espaço de aprendizagem seguro e saudável, longe das restrições que a pandemia impunha, acabei por criar este projecto e, em 2022, convidar a Amarílis, a Filipa e outras pessoas a juntarem-se.
Amarílis Anchieta — professora
Para começo de conversa, cabe dizer que sou brasileira. Estou em Portugal desde 2019. Sou bacharela em tradução com paixão declarada pelo conhecimento das línguas e pela literatura. Foi levada pelo fascínio pela literatura que continuei a trajetória académica e fiz o mestrado em Estudos da Tradução. A educação andava paralelamente. A minha primeira experiência na sala de aula foi como professora substituta na universidade. Depois disso, dei aulas em escolas públicas de Brasília. Neste período, comecei a trabalhar com adolescentes. Sentia um forte chamado para atuar nesta etapa do desenvolvimento, mas sentia-me completamente presa num sistema educacional que não me permitia vivenciar a educação como eu acreditava. Vim para Portugal fazer um intercâmbio de doutoramento em Literatura. No doutoramento fui arrebatada pelo pensamento indígena. A ancestralidade dos povos originários captou de tal forma que passou a ser uma grande fonte de inspiração e referência. Tenho me dedicado à leitura do pensamento e da literatura produzida por estes povos, como uma tentativa de manter viva as histórias desses povos, para que não se apaguem os rastros de povos que sabiam pisar com delicadeza sobre a nossa terra. Em 2021, a Ana fez-me a proposta de estar com ela neste grupo e fez-me sentir acompanhada neste desejo de revolução pela educação. Aqui parece ser possível acreditar na educação pela e para a liberdade. Sigamos!
Filipa Rosado - professora
Venho de uma família de gente simples, em que a maioria dos adultos começou a trabalhar cedo na vida, porque não «dava para a escola». Durante o meu percurso escolar, por outro lado, cresci a ouvi dizer que eu «dava para a escola, porque tirava boas notas nos testes». Nunca me senti especial por isso, afinal de contas até tinha boa memória e isso facilitava-me a tarefa. Na generalidade, aprendi muito pouco a estudar para testes mas, por outro lado, conheci alguns (muito) bons seres humanos, e que também eram professores, que me inspiraram pela forma como apresentavam as matérias e encaravam cada um de nós como um ser único e especial, cheio de capacidades únicas para mostrar ao mundo. No fundo, professores que captavam a essência, o «tesouro» de cada um dos seus alunos e a faziam vir ao de cima, mesmo quando achávamos que não tínhamos nada para dar. Com eles aprendi a aprender das mais variadas formas, e a eles estou grata por terem contribuído para a pessoa que sou hoje. E acabei por estudar tudo até ao fim, que é como quem diz, até ter uma licenciatura que acabou por ser em Biologia. Daí para a frente trabalhei em diversas áreas; comecei na investigação, mas logo a pus de parte e decidi dedicar-me à educação ambiental para crianças e jovens. Como ainda tinha o gosto por aprender, frequentei vários cursos e workshops em teatro, fotografia e astronomia, ao mesmo tempo que era monitora num centro de atividades para tempos livres numa escola do ensino básico. Mais tarde, vivi seis meses em Inglaterra, a estagiar numa rede de centros de educação ambiental e para a sustentabilidade, com alunos de diferentes faixas etárias. Finalmente, ao regressar, ainda trabalhei numa quinta pedagógica e até fui guia dos Parques de Sintra, o que me levou a aprofundar os meus conhecimentos de História. Quando, já depois de ser mãe pela primeira vez, entrei no Curso de Pedagogia Waldorf, pois queria muito continuar a trabalhar com crianças, não foi preciso muito para me «sentir em casa». Ali estava, simplesmente, a forma de pensar a escola como eu sempre tinha imaginado! Uma escola que ia ao encontro de cada aluno e na qual cada um poderia brotar toda a sua essência, fosse ela mais intelectual, artística ou prática. Uma escola que, afinal, «dava para os alunos», que se adaptava às suas capacidades e interesses sem esperar o contrário! À medida que avançava no curso, descobri que para se ser professor numa escola que «dá para os alunos» é preciso um baú enorme de recursos, e fiquei feliz por ter feito tantas coisas diferentes ao longo da minha vida até então, e que me permitiram encher o meu baú! Já sou professora nisto da Pedagogia Waldorf desde 2014. Durante este percurso dei aulas a diferentes anos, entre o primeiro e o oitavo. Aos poucos fui direcionando os meus interesses para as Ciências e a História, os temas principais das aulas que dou atualmente no Grupo de Aprendizagem Livre. Mas também ajudo no Teatro… E no Inglês… E na Costura… Está tudo no tal baú, sabem? E quanto mais aulas dou, mais aprendo com os seres humanos maravilhosos que são os meus alunos, e que me inspiram todos os dias!
